Pensamentos acelerados, medo do futuro, estado constante de alerta e dificuldade para relaxar são experiências frequentemente associadas à ansiedade.
Em algumas situações, porém, também existe uma sensação difícil de explicar: racionalmente, você sabe que está segura, mas emocionalmente parece que algo ruim pode acontecer a qualquer momento.
Uma situação aparentemente pequena pode provocar choro, medo, irritação ou uma reação muito mais intensa do que você gostaria. Depois, quando tudo passa, pode surgir a pergunta: “Por que eu reagi dessa forma?”
Nem sempre aquilo que sentimos no presente está relacionado apenas ao que está acontecendo naquele momento.
Experiências anteriores podem continuar influenciando a maneira como percebemos determinadas situações, relacionamentos e acontecimentos. Algumas memórias permanecem associadas a emoções, pensamentos e sensações que podem ser novamente ativados diante de circunstâncias atuais.
Por isso, algumas pessoas percebem que certos acontecimentos parecem despertar sentimentos antigos.
Uma crítica pode provocar uma sensação profunda de inadequação. Um conflito pode gerar medo intenso de rejeição. Uma situação de incerteza pode produzir um estado de alerta difícil de controlar.
Também podem surgir pensamentos limitantes sobre si mesma, como sentir que nunca é boa o suficiente, que precisa estar sempre no controle ou que não consegue confiar nas próprias decisões.
Quando essas respostas começam a interferir na rotina, nos relacionamentos, na autoestima e nas escolhas, compreender aquilo que está por trás delas pode ser um passo importante no processo terapêutico.
A Terapia EMDR permite trabalhar experiências e memórias que podem estar relacionadas ao sofrimento emocional atual.
Por meio de protocolos específicos e recursos de estimulação bilateral, o processo busca favorecer o processamento dessas experiências, permitindo a construção de novas respostas emocionais e comportamentais.
Isso não significa que toda ansiedade seja necessariamente consequência de um trauma específico.
Cada pessoa possui uma história diferente. Por isso, o tratamento começa com uma avaliação cuidadosa para compreender as demandas atuais, experiências anteriores e objetivos que a paciente deseja alcançar.
Também não é necessário identificar sozinha quais acontecimentos podem estar relacionados ao que você sente.
Durante as primeiras sessões, psicóloga e paciente constroem juntas essa compreensão. A partir daí, é definido um plano terapêutico individualizado.
Antes do processamento de experiências mais difíceis, também existe uma etapa de preparação e desenvolvimento de recursos. O trabalho acontece de forma gradual e respeita o ritmo, os limites e as necessidades de cada pessoa.
O objetivo não é fazer com que você nunca mais sinta ansiedade ou emoções desconfortáveis. Emoções fazem parte da experiência humana.
O processo terapêutico busca ampliar seus recursos para lidar com aquilo que sente e reduzir a interferência de experiências que continuam produzindo sofrimento no presente.
Quando determinadas reações parecem maiores do que a situação atual, investigar a história por trás delas pode abrir espaço para novas formas de sentir, escolher e se relacionar.
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